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March 19, 2010 | Arte, Lifestyle

Tem coisas que a gente quer muito fazer*

por | 4 Comentarios

Cartaz da Coleção "Alice" de Tatti Simões

(*Traducción al español abajo)

Tem coisas que a gente quer muito fazer, e não faz, vai adiando, adiando, e elas ficam lá, no fundo da cabeça, e de tão fundo, parece que vão pro lugar de drenagem, obstruindo o fluxo, das idéias como as tampinhas das pias obstruem o fluxo da água. E todo dia a maldita idéia que virou obsessão, fica lá, impedindo as outras de acontecerem. E vira culpa! Desde outubro estou culpada por não ter escrito mais no BlogCouture, e por não ter contado do incrível mundo encantado da Tatti Simões, que descobri no Rio de Janeiro. Hora da catarse! (ou hora de carta-se?) Não quero mais adiar a cura, quero que minhas idéias possam passar adiante, cair, pingar e jorrar, sem culpa! Que coisa feia, culpa! (e idiota)

Bem, escrever no BlogCouture deve ficar mais fácil depois da confissão.

A história era assim:

Um dia, fui no Rio de Janeiro, pra dar uma aula de estamparia, no Instituto Rio Moda. Me esperavam pessoas incríveis, com portfólios lindos. Uma das meninas, com um impetuoso traço de quem desenha sem medo, sem problemas e de forma quase inconseqüente começou a abrir pastas e cadernos com desenhos que compunham histórias de vidas femininas, romances e sonhos. Os desenhos ela aplica na moda que faz, uma roupa narrativa, que ilustra emoções femininas de forma muito corajosa.

Depois de conhecer os desenhos e trabalhar com a Tatti para transformá-los em rapports, conheci a loja dela, em Ipanema, o mundo de Tatti: histórias femininas, ambientadas no Rio de Janeiro, contadas em textos e desenhos, bordados sobre roupas de simples modelagens.

Vestido "Lapa" de Tati Simões

Modelagens simples. sim, vestidos, saias, blusas, mas bordados muito sofisticados. Tanto em técnica, impecáveis, maravilhosos, ponto depois de ponto, quanto em estética. A Tatti escreve os textos, desenha as imagens e desenha as roupas. É tudo lindo, tudo forte, a gente quer tudo. Vale a pena, e muito, passar na Rua Visconde de Pirajá, 580 no 3ºpiso, lj.321 no Rio de Janeiro, RJ, e conhecer as paisagens maravilhosas do mundo da Tatti. Já no balcão a  gente encontra a confissão:

Hoje ela brinca pela vida.
Sabe que é livre.
Tem paixão por palavra.
Gosta de fantasia.
Precisa de natureza.
Vive do desejo.
O futuro é agora.
Tudo passa e vira música.
Gente que brilha pensa além…
Faz arte e só quer ser feliz
com o amor por perto.

Tati, o seu é um trabalho de quem tem o que dizer. Dizes mesmo textualmente, sua poesia é  muito forte, objetiva e feminina. Porque escolheste a roupa como suporte para sua poesia?

Na verdade, não foi exatamente uma escolha e sim o resultado de um processo. Eu comecei a escrever de verdade, com 16 anos porque era uma necessidade, uma forma de tentar entender o que eu sentia diante do encontro com minha primeira paixão. E muito antes de encontrar na moda um veículo para me expressar artisticamente, eu fazia teatro e pensava em escrever um livro… Depois, comecei a fazer esculturas e a pintar quadros também. Tudo sempre com o único objetivo, o de expressar meus sentimentos através da arte numa tentativa de traduzir a complexidade da vida para mim mesma e para quem pudesse entender, ou se identificar com o meu trabalho. A moda nunca foi o meu foco, nunca tinha pensado em fazer moda na vida. Mas olhando pra trás, sempre escolhi usar roupas que pareciam mais figurinos do que outra coisa, mesmo sem ter muita consciência ainda da força de comunicação que existe através do vestuário. Até que um dia resolvi começar a criar minhas próprias roupas e aí entendi que a moda poderia ser sim uma grande forma de expressão artística. Eu me utilizei da peça de roupa como se ela fosse uma tela, um papel em branco e saí pintando e bordando, escrevendo o que eu queria, especialmente na Coleção Retalhos da Vida, onde os textos são meus. E assim encontrei uma forma mais direta, intensa e objetiva de compartilhar meus sentimentos e pensamentos com as pessoas. E é muito legal ver alguém na rua vestindo minha poesia, levando um pedacinho da minha vida por aí…

O seu trabalho é muito feminino. Além da imagem feminina, você trabalha com fazeres femininos, o bordado, o crochê… como você articula as mulheres que executam as tuas idéias? Como é dirigi-las? Há um aspecto social que deva ser mencionado?

Realmente, o universo feminino está totalmente presente no meu trabalho em todos os sentidos. Desde menina sempre me interessei demais por tudo que diz respeito às mulheres: dos desejos mais profundos, pensamentos, situação da mulher na história da humanidade, à cumplicidade, compreensão e capacidade de comunicação feminina diante do amor e da dor, até as rendas, bordados, crochês, enfeites, fru-frus… No atelier, no meu dia-a-dia, vivo cercada de mulheres de várias idades, com suas histórias, temperamentos, diferenças sociais e culturais, com visões diferentes em relação à vida, mas que, de certa forma, se unem naquele momento nos fazeres femininos da arte, envolvidas por um universo lúdico, cheio de cores e propostas diferentes de tudo o que elas já tinham visto. Muitas vezes, elas questionam as minhas idéias, acham maluquice, dizem que não vão fazer e, às vezes, é difícil administrar tanta mulher! Mas procuro fazer com que elas entendam o que está acontecendo ali, porque é importante determinada idéia ser realizada (apesar do trabalho que, para elas, às vezes, parecer absurdo). Sempre conto histórias pra elas relacionadas com a Coleção e acho muito gratificante esse convívio. E o mais legal, o que mais me deixa feliz, é ver como elas se surpreendem e se orgulham quando vêem a peça pronta! Elas se sentem parte das minhas criações de verdade, e são!

Eu acho que você tem um romantismo muito verdadeiro, muito honesto. Suas clientes reconhecem isso?

Nem todas. Muita gente chega lá e quer roupa. Mas a minha idéia é vender arte, e isso só algumas pessoas entendem. E, quando a pessoa entende, é muito legal porque passa existir um outro diálogo com a cliente. Num minuto, a pessoa fica tão próxima, que parece ter me conhecido há tempos. Algumas clientes se identificam tanto com a proposta a ponto de acharem que o que está escrito nas roupas foi feito especialmente pra elas, que fala da vida delas, que as traduzem perfeitamente. Às vezes, acham engraçado, irreverente. Tem gente que gosta, entende, mas não se vê usando. Mas de um modo geral, existe um encantamento que atinge quase todo mundo que entra na loja. Sempre escuto dizerem que é tudo muito diferente, que parece estarem entrando numa espécie de “mundo encantado”, que mistura teatro com a aquela sensação acolhedora de “casa da gente”. E uma outra coisa, também, que as vendedoras sempre me falam, é que existe uma curiosidade muito grande das pessoas em saber como eu sou fisicamente, se sou velha ou nova, se crio tudo sozinha…

Qual a história da tua loja, do teu negócio?

Bem, a minha marca de design, “Tatti Simões”, eu criei em 2001. Nessa época, fazia Babilônia Feira Hype, Mercado Mundo Mix, e vendia meus produtos para outras lojas também. Mas a minha loja surgiu da necessidade de ter um espaço onde eu pudesse colocar todo o tipo de arte que eu faço. Como se fosse uma mini exposição do meu trabalho como um todo. Porque, como sempre fiz um monte de coisas diferentes, era complicado ficar espalhando tudo por aí pelas lojas. Tinha quadro meu em Galeria de Arte, almofadas e alguns objetos em lojas de decoração; bolsas e bijuterias em lojas de acessórios…  Já, em 2005, quando comecei a criar as minhas roupas, eu só vendia em bazar em casa, pois não encontrava um espaço que tivesse a ver com elas e já estava cansada de fazer feiras. Volta e meia, eu também estava no Teatro ,em cartaz com alguma peça. Era uma confusão, e eu me sentia meio fragmentada… Ninguém podia entender o meu trabalho direito dessa forma. Meu atelier era em casa também e, quando decidi ser mãe, tinha que organizar melhor o espaço para o meu filho. Então, eu resolvi abrir uma loja-atelier e,em 2007, quando meu filho já estava com 1 ano, abri a loja ao público. O atelier fica no mesmo espaço atrás da loja e, assim, posso estar sempre presente. E, realmente, isso fez toda a diferença. O meu trabalho ganhou uma unicidade muito legal. E eu me sinto, como artista, muito mais inteira e realizada.

A loja da Tatti

O que você gosta na moda brasileira? Quais tuas referencias, na moda e fora dela?

Na realidade, as minhas referências vêem muito mais do universo das artes como um todo. Principalmente do Teatro, Literatura e Cinema, além da minha inegável paixão pelo passado. Sinto uma saudade imensa de tempos que eu nem vivi… E, talvez, a forma que eu encontre de “matar essa saudade” e vivenciar isso, seja através das minhas criações… Mas, na moda mesmo, um dos trabalhos que eu mais gosto é o do Ronaldo Fraga, é o que chega mais perto da forma como eu percebo a moda. Amo!

O que mais é importante dizer? sobre seu trabalho, sobre você?

Antes de ser estilista, sou artista plástica , e sempre digo que, para compreender o meu trabalho, é essencial saber que sou, também, uma atriz que, embora tenha uma adoração pela energia do palco, escolheu interpretar “seus personagens” no atelier, entre tecidos e pincéis, fragmentos de textos e linhas de bordado… Desde pequena, sempre fui fascinada pelo mundo da fantasia, onde tudo é possível… E foi no teatro que encontrei a liberdade de me descobrir, através da infinidade de possibilidades dos personagens… A minha loja, Tatti Simões, fica no Rio de Janeiro, em Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, 580/ 321.  Tel: 2512 3527.  Meu site é : www.tattisimoes.com.br

Vestido "Alice" de Tati Simões

Vestido "Alice" de Tatti Simões

Série "Alice" de Tati Simões

Série "Alice" de Tatti Simões

Saia "Cigarros" de Tati Simões

Saia "Cigarros" de Tatti Simões

Coleção "Alice"

Coleção "Alice"

Detalhe Bordado

Detalhe Bordado

Saia dos cigarros

“Um cigarro… E você  me vicia. Vou embora e te levo comigo. Você bebe a minha água e me deixa com sede… Come os biscoitos com requeijão e acaba com meu café da manhã, mas ainda é noite e você me quer de sobremesa… Me leva para o meu quarto, deita na minha cama e mata a minha fome. Mexe nas minhas coisas. Se olha no meu espelho. Aparece na minha janela. Depois… Vai para sala, e eu atrás. Senta no meu sofá e faz carinho nos meus cabelos. Me olha como se eu fosse uma criança, depois de acabar de me ter como mulher. Me dá um beijo e se despede com sorriso de satisfação. Levanta e vai embora, sem dizer quando volta, nem que vai sentir saudades. Eu permaneço no sofá, onde você me deixou, ainda por alguns instantes… Volto até o quarto. Lá está ele, em cima da minha mesinha de cabeceira, seu maço de cigarros vazio. Sorrio. Parece que você faz questão de deixar de propósito. Só para que eu não possa dormir e acordar pensando que tudo não passou de um sonho…”

Vestido mar

“…Quando ela o viu correndo em direção ao mar, teve a estranha sensação de que a cena se repetiria ainda muitas vezes, com ela observando da areia. Deitou e fechou os olhos. Confusa. De repente, ela sentiu um beijo e continuou com os olhos fechados… Ele, eu não sei, mas naquele exato momento ela entendeu que ele era a figura do amor que ela havia esperado desde muito tempo atrás…”

Bem, eu queria muito isso, contar a história da Tatti, mostrar o lindo trabalho dela. E ficar livre deste desejo…para ir aos próximos. Me sinto leve!

Sobre o Rio de Janeiro:

O Rio de Janeiro tem crescido como pólo de moda e criatividade a partir de uma base industrial de pequeno e médio porte. Segundo O Globo de 08/01/08,  “.. Terceiro maior empregador no setor industrial do Estado, a moda absorve mais de 90 mil trabalhadores em toda a cadeia produtiva, sendo 70% mulheres e a maioria com níveis baixos de escolaridade.

Das mais de cinco mil empresas têxteis e de confecção fluminenses, a esmagadora maioria tem o perfil de pequenas e micros. Se, por um lado, estas características explicam a importância do setor para o desenvolvimento social, pela capacidade de gerar emprego e renda e de promover uma distribuição deste desenvolvimento por todo o Estado, por outro revelam vocação inequívoca para o empreendedorismo e para a criação de produtos com forte identidade.”

Além da indústria propriamente dita, um grande número de iniciativas microscópicas reforça o proclamado valor identitário do produto através do acréscimo de detalhes e acabamentos artesanais ou, no mínimo, manuais.

Com muita freqüência o trabalho artesanal remete ao universo feminino, tornando o produto final mais elaborado e requintado favorecendo o emprego ou o desenvolvimento de estéticas que tem na feminilidade seu valor. Sejam expressões de sensualidade ou de intimidade, o feminino é traduzido nos bordados, rendas, tricôs, crochês e outras firulas. E claro, existe um saber e uma organização social, suficientemente ordenados (ou caoticamente arranjados?), que permite relacionar essa produção artesanal com a indústria de pequeno porte.

A expressão do valor de identidade, neste caso como em qualquer outro, está na condição fundamental de ter o que dizer. Sem ter opinião sobre as coisas, o mundo, a vida, ninguém faz nada rico, nem em moda. Por outro lado, quem tem o que expressar, histórias pra contar, pode encantar com muito pouco.

*Traducción al español:

Hay Muchas Cosas que Queremos Hacer

Por Celaine Refosco

Hay muchas cosas que queremos hacer pero no las hacemos; las vamos postergando, postergando y allí quedan, en el fondo de la mente, y tan hondo que parece que se van a la alcantarilla, obstruyendo el flujo de las ideas, como las tapitas que obstruyen el flujo del agua. Y todos los días la maldita idea que se transformó en obsesión allí queda, impidiendo que otras sucedan.  ¡Y se transforman en culpa!  Desde octubre me siento culpable por no haber escrito más en BlogCouture, y por no haber contado el increíble mundo encantado de Tatti Simões, que descubrí en Río de Janeiro.  ¡Hora de percatarse (¡u hora de catarsis!).  No quiero postergar más la cura, quiero que mis ideas puedan fluir, caer, gotear y salir a borbotones, ¡sin culpas!  ¡Qué fea es la culpa (y qué idiota)!

Bueno, escribir para BlogCouture debe ser más fácil después de haberme confesado.

La Historia fue Así

Un día fui a Río de Janeiro, para ministrar una clase de estampado en el Instituto Río Moda,  Me esperaban personas increíbles, con lindos portafolios.  Una de las chicas, con un impetuoso trazo de quien dibuja sin miedo, sin problemas y de manera casi inconsecuente, empezó a abrir carpetas y cuadernos con dibujos que componían historias de vidas femeninas, romances y sueños.  Los dibujos los aplica a la moda que hace, una ropa narrativa, que ilustra emociones femeninas de forma muy valiente.

Después de conocer los dibujos y trabajar con Tatti para transformarlos en “rapports”, conocí su tienda en Ipanema: el mundo de Tatti, historias femeninas, ambientadas en Río de Janeiro, contadas en textos y dibujos, bordados sobre ropa de modelaje simples.

Si, modelajes sencillos – vestidos, polleras, blusas – pero con bordados muy sofisticados.  Tanto en la técnica – impecable, maravillosa, punto tras punto – cuanto en la estética.  Tatti escribe los textos, dibuja las imágenes y dibuja las ropas.  Es todo lindo, todo fuerte, uno quiere todo.  Vale la pena, muchísimo, pasar por la calle Vizconde de Pirajá, 580, en el tercer piso, sala 321, en Río de Janeiro, y conocer los paisajes maravillosos del mundo de Tatti.  En el balcón uno ya encuentra la confesión:

Hoy ella juega por la vida.
Sabe que es libre.
Tiene pasión por la palabra.
Le gusta la fantasía.
Necesita a la naturaleza.
Vive del deseo.
El futuro es ahora.
Todo pasa y se transforma en música
Gente que brilla piensa más allá…
Hace arte y únicamente quiere ser feliz
Con el amor muy cerca

Tatti, tu trabajo es el de alguien que tiene algo para decir  Lo dices textualmente, tu poesía es profunda, objetiva y femenina.  ¿Por qué elegiste la ropa como soporte para tu poesía?

En realidad, no fue una elección, más bien el resultado de un proceso.  Empecé a escribir de verdad, a los 16 años, porque era una necesidad, una forma de tratar de entender lo que sentía delante del encuentro con mi primer amor.  Y mucho antes de encontrar en la moda un vehículo para expresarme artísticamente, yo hacía teatro y pensaba escribir un libro.  Después, empecé a hacer esculturas y también a pintar cuadros.  Todo siempre con el objetivo único de expresar mis sentimientos a través del arte, en una traTattiva de traducir la complejidad de la vida para mí misma, y para quien pudiese entender o identificarse con mi trabajo.  La moda nunca fue mi foco, nunca había pensado en mi vida hacer moda.  Pero mirando para atrás, siempre elegí usar ropas que parecían más figurines que otra cosa.  Aún no tenía conciencia de la fuerza de comunicación que existe a través del vestuario.  Hasta que un día resolví empezar a crear mis propias ropas y fue ahí que entendí que la moda podría si ser una gran forma de expresión artística.  E hice uso de la pieza de ropa como si fuera un lienzo, un papel en blanco, y salí a pintar y bordar, escribiendo lo que quería, especialmente en la Colección Retazos de Vida, donde los textos son míos.  Y así encontré una forma más directa, intensa y objetiva de compartir mis sentimientos y pensamientos con la gente.   Y es fantástico ver a alguien en la calle con mi poesía puesta, llevando un pedacito de mi vida por ahí…

Tu trabajo es muy femenino.  Además de la imagen femenina, trabajas con tareas femeninas, el bordado, el crochet.  ¿Cómo articulas a las mujeres que ejecutan tus ideas? ¿Cómo es dirigirlas?  ¿Hay algún aspecto social que deba mencionarse?

Realmente, el universo femenino está totalmente presente en mi trabajo en todos los sentidos.  Desde chica siempre me interesé mucho por todo lo que dice respecto a las mujeres, sus deseos más profundos, pensamientos, situación de la mujer en la historia de la humanidad, la complicidad, comprensión y capacidad de comunicación femenina delante del amor y del dolor, hasta el encaje, bordados, crochet, adornos, volados.  En el atelier, en mi día a día, vivo cercada de mujeres de varias edades, con sus historias, temperamentos, diferencias sociales y culturales, con visiones diferentes en relación a la vida, pero que de cierta forma, se unen en aquél momento, por los quehaceres femeninos del arte, envueltas por un universo lúdico, lleno de colores y propuestas diferentes de todo lo que ellas conocían.  Muchas veces cuestionan mis ideas, creen que son muy locas, dicen que no las van a hacer.  ¡Muchas veces es difícil administrar a tantas mujeres!  Pero trato de hacer que entiendan lo que está sucediendo allí, por qué es importante realizar determinada idea (aunque el trabajo les pueda parecer absurdo de vez en cuando).  Siempre les cuento historias relacionadas con la Colección y encuentro esa convivencia muy gratificante.  Es lo mejor de todo, lo que más me deja feliz: ver como ellas se sorprenden y se enorgullecen cuando ven la prenda pronta.  Ellas de verdad se sienten parte de mis creaciones y ¡lo son!

Creo que tienes un romanticismo muy verdadero, muy honesto.  ¿Tus clientas así lo reconocen?

No todas.  Mucha gente llega y quiere la ropa.  Pero mi idea es vender arte, y eso solo algunas personas lo entienden.  Y cuando una persona lo entiende es mucho mejor, pues pasa a existir un diálogo diferente con la cliente.  En un minuto, la persona queda tan cercana que parece que me ha conocido de toda la vida.  Algunas clientas se identifican tanto con la propuesta al punto que consideran que lo que está escrito en la ropa fue hecho especialmente para ellas, que habla de sus vidas, que la traducen perfectamente.  Otras veces, la consideran divertida, irreverente.  Hay gente que le gusta, la entiende, pero no se ve usándola.  Pero en general, existe un encantamiento que le llega a todos los que entran a la tienda.  Siempre los escucho diciendo que es todo muy diferente, que están entrando en un “mundo encantado” que mezcla teatro con aquella sensación acogedora igual a “nuestra propia casa”.  Las vendedoras siempre me cuentan otra cosa también, que existe una curiosidad muy grande por parte de todos de saber como soy físicamente, si soy vieja o joven, si creo todo yo sola…

¿Cuál es la historia de tu tienda, de tu negocio?

Bueno, mi marca de design, “Tatti Simões”, la ideé en 2001.  En esa época, hacía la Feria Babilonia Hype, el Mercado Mundo Mix, y vendía mis productos en otras tiendas también.  Pero mi tienda surgió de la necesidad de tener un espacio donde pudiese poner todo el tipo de arte que hago.  Como si fuese una mini exposición de mi trabajo como un todo.  Porque, como siempre hice un montón de cosas diferentes, era complicado colocar todo por varias tiendas.  Había cuadros míos en Galería de Arte, almohadas y algunos objetos en tiendas de decoración, carteras y bisutería en tiendas de accesorios… Ya en 2005, cuando empecé a crear mis propias ropas, yo sólo vendía en mi casa, en forma de bazar, pues no encontraba un espacio que tuviese que ver con ellas y ya estaba cansada de las ferias.  De vez en cuando, yo también estaba haciendo teatro, en cartelera con alguna obra.  Era muy confuso, y yo me sentía un poco fragmentada… Nadie podía realmente entender mi trabajo así.  Mi atelier también era en mi casa y cuando decidí ser madre, tenía que organizar mejor el espacio para mi hijo.  Entonces, resolví abrir una tienda-atelier y, en 2007, cuando mi hijo ya estaba con un año, abrí la tienda al público.  El atelier queda en el mismo espacio en la parte de atrás, así puedo estar siempre presente.  Y realmente, eso hace la diferencia.  Mi trabajo ganó una unicidad bien interesante.  Y yo me siento, como artista, mucho más íntegra y realizada.

¿Qué te gusta de la moda brasileña?  ¿Quiénes son tus referentes, de la moda y fuera de la misma?

En realidad, mis referentes vienen mucho más del universo de las artes como un todo.  Principalmente del Teatro, Literatura y Cine, además de mi innegable pasión por el pasado.  Siento una gran nostalgia de los tiempos que siquiera vivi.  Y talvez, la manera que encontré de “matar esa nostalgia”, y vivenciarla, sea a través de mis creaciones.  Pero, en lo que respecta a la moda, uno de los trabajos que más admiro es el de Ronaldo Fraga, que es quien más se acerca de la forma que yo percibo a la moda.  ¡Me encanta!

¿Qué es lo más importante decir sobre tu trabajo, sobre ti?

Antes de ser estilista, soy artista plástica y siempre digo que, para entender mi trabajo, es esencial saber que también soy una actriz que, aún teniendo una adoración por la energía del palco, eligió interpretar “sus personajes” en el atelier, entre tejidos y pinceles, fragmentos de texto e hilos de bordado.  Desde chica siempre me fascinó el mundo de fantasía, donde todo es posible.  E fue en el teatro que encontré la libertad de descubrirme, a través de la infinidad de posibilidades de los personajes…  Mi tienda, Tatti Simões, queda en Río de Janeiro, en Ipanema, en la Rua Vizconde de Pirajá, 580/321 – teléfono (021) 2512-3527.  Mi página es www.tattisimoes.com.br

Pollera de los cigarros

“Un cigarro… Y vos me vicias.  Me voy y te llevo conmigo.  Bebes mi agua y me dejas con sed.  Comes las galletitas con requesón y acabas con mi desayuno, pero todavía es noche y me quieres de postre…  Me lleva para mi cuarto, se acuesta en mi cama y mata mi hambre.  Revuelve mis cosas.  Se mira en mi espejo.  Aparece en mi ventana.  Después… va para la sala, y yo voy detrás.  Se sienta en mi sofá y acaricia mis cabellos.  Me mira como si yo fuese una niña, después de acabar de tenerme como mujer.  Me besa y se despide con una sonrisa de satisfacción.  Se levanta y se va, sin decir cuando vuelve, ni si me va a extrañar.  Yo permanezco en el sofá, donde me dejaste, por algunos momentos más…. Regreso al cuarto.  Allí está él, arriba de mi criado mudo, su paquete de cigarros vacío.  Sonrío.  Parece que insiste en dejarlos a propósito.  Solo para que yo no consiga dormir y despertar pensando que todo no pasó de un sueño….”

Vestido Mar

“…Cuando ella lo vio corriendo hacia el mar, tuvo la extraña sensación que la escena se repetiría muchas veces más, con ella observándolo desde la arena.  Se acostó y cerró los ojos.  Confusa.  De repente, ella sintió un beso y siguió con los ojos cerrados… Él, yo no sé, pero en aquel exacto momento, ella entendió que él era la figura del amor que ella había esperado desde mucho tiempo atrás….”

Bueno, eso quería yo.  Contarles la historia de Tatti, mostrar su lindo trabajo.  Y quedarme libre de ese deseo… para ir a los siguientes.  ¡Me siento liviana!

Sobre Río de Janeiro:

Río de Janeiro ha crecido como polo de moda y creatividad a partir de una base industrial de medio y pequeño porte.  Según el periódico O Globo de 08/01/08, “tercer mayor empleador en el sector industrial del Estado, la moda absorbe más de 90 mil trabajadores en toda la cadena productiva, siendo 70% de mujeres y la mayoría con niveles de escolaridad bajos”.

De las más de cinco mil empresas textiles y de confección del estado, la gran mayoría tiene perfil de pequeñas y micros.  Si, por un lado, estas características explican la importancia del sector para el desarrollo social, por la capacidad de generar empleo y renta y de promover una distribución de este desarrollo por todo el Estado, por otro revelan una vocación inequívoca para el emprendedurismo y para la creación de productos con identidad fuerte.

Además de la industria propiamente dicha, un gran número de iniciativas microscópicas refuerza el proclamado valor identitario del producto a través del incremento de detalles y terminaciones artesanales o, por lo menos, manuales.

Con frecuencia el trabajo artesanal remite al universo femenino, haciendo con que el producto final sea más elaborado y refinado, favoreciendo el empleo o desarrollo de estéticas que tienen su valor en la feminidad.  Ya sea expresiones de sensualidad o de intimidad, lo femenino se traduce en los bordados, encajes, tejidos, crochet, etc. Y obviamente, existe un saber y una organización social suficientemente ordenada (o caóticamente organizada) que permite relacionar esa producción artesanal con la industria de pequeño porte.

La expresión de valor de la identidad, en este caso como en cualquier otro, está en la condición fundamental de tener algo que decir.  Sin tener opinión sobre las cosas, el mundo, la vida, nadie hace nada enriquecedor, ni en la moda.  Por otro lado, quien tiene algo para expresar, historias para contar, pueden encantar con muy poco.

Traducción: Celina McCall (celina.mccall@gmail.com)


4 Responses to Tem coisas que a gente quer muito fazer*

  1. Fiquei muito feliz em ver publicado esse texto sobre o meu trabalho! Muito obrigada Celaine!!! Foi um enorme prazer ter te conhecido. Foi realmente um grande encontro pra mim, daqueles que mudam a vida da gente… Vc nem imagina o quanto tudo o que a gente conversou me fez fazer um monte de mudanças na estrutura da forma como eu trabalhava para que agora eu possa crescer de verdade, e que cada vez mais pessoas possam conhecer a minha arte. Vc foi o “start” que eu precisava…
    E uma das coisas que mais me encanta nessa vida é a generosidade das pessoas. Você é uma pessoa muito generosa e muito sensível.
    Muito obrigada!
    Muito sucesso pra você sempre!
    Um beijo enorme,
    Tatti

  2. Milonga says:

    Me encanta la tienda de Tatti, que muestra bien su creatividad! Espírito bien brasilero – el color que nos falta acá!!

  3. Anita Damas says:

    I love Tatti design! She is a very talented fashion designer. I adore her dresses and her beautiful shop! Crossed fingers Tatti!

  4. Dea says:

    Cela,incrível o trabalho dela, o feminino transborda e deixa tudo mágico.
    Amei ver um pouco de ti aqui tbém.bjos

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